24 de abril de 2017

Lições terapêuticas de sentimentos

Joguei-me no desconhecido sem saber se estava certo ou errado. Errei, acertei, mas fiz o que achava que deveria. Ouvi pessoas céticas, descrentes da Medicina. Mas a diferença na vida da Jaqueline foi a minha postura. Correta ou incorreta não cedi às opiniões que me colocavam para baixo.

Algumas vezes, confesso que fui influenciada na maneira que deveria cuidar dela e errei. Outras acertei e essas opiniões foram válidas. Mas com tudo isso aprendi a ter responsabilidade nas minhas decisões e a me impor diante de cada passo. Se errasse por mim ou não, aprenderia mais uma lição.

A minha intuição foi certeira na maioria das vezes. É aí que eu acredito no poder de uma mãe amparada por algo muito maior. Mesmo quando tudo parecia perdido, insuportável me achando tola e incapaz, tudo se transformava em uma afirmação de que eu era apenas uma mãe em construção. E nenhuma mãe é perfeita. Ela é como um filho: está aprendendo, se desenvolvendo, caindo e levantando.

Muitas pessoas são limitadas em relação ao outro porque apegam-se à aparência. Ela não diz tudo sobre a pessoa. Não possuem a capacidade de VER além do que acham que enxergam. Isso não me incomoda, afinal o olhar do outro é dele e não condiz com o que penso da minha filha. Consigo vê-la de maneira evoluída, forma essa que muitos não alcançam.

Quando percebo que algo possa me abalar, lembro-me de tudo que ela superou. As pessoas ACHAM mas não SABEM das coisas. Nós a conhecemos, e o olhar dela é o mais puro e bonito possível. Para nós, ela sempre foi e será bem vista e ela não se importa com o que pensa. Aliás, eu acho que o preconceito é um pensamento de cada um, eu não fico por aí caçando olhares diferentes, acho isso paranoia e mesmo que muitos não respeitem eu tenho atitudes de respeito para com o próximo. Não é pelo fato de ela precisar de cuidados especiais que o mundo deva parar pra ela passar e o mesmo cuidado que gostaria que tivessem com ela, eu faço mesmo não recebendo de volta.

O importante de tudo é o AMOR! A estrada é de lutas, mas a superação é contínua de todos nós. Temos fraquezas como todo ser humano e não somos máquinas portáteis de fortaleza. Mas em momentos desafiadores nos armamos de coragem e enfrentamos pois é assim que a nossa filha tem feito desde que nasceu. 

A nossa busca deveria ser simplesmente VIVER. Esquecemos desse viver plenamente e intensamente pelas preocupações do dia, pelos problemas, pelas dificuldades e tristezas esquecendo das coisas mais simples. Quando percebemos a vida vai passando ou ela passando por nós dando tchau da janela de um ônibus e a sensação é que estivemos sentados sem vê-la corretamente. A vida não tem manual, e pode ser simples e complexa em diferentes situações para diferentes pessoas.

Quando vejo a minha filha vivendo, rindo, (rindo até de si mesma e das pessoas), brincando, gargalhando, amando, abraçando, sentindo, chorando e seguindo eu penso que todos nós devemos ser assim. Até as partes difíceis são importantes. Cheguei viva ao ultrapassar todas elas e são suportáveis com uma dose de doçura. Ela viveu quando muitos achavam que ela morreria e nem eu acredito às vezes o tanto de coisa boa e bonita ela tirou de tudo que enfrentou na vida dela. Com toda a certeza ela é um espelho e fontes diárias de aprendizado em lições terapêuticas.


Adriana Silva


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