15 de setembro de 2014

Relacionamentos com Predadores Emocionais - Assassinos Silenciosos


Roubam a sua cena interna.
Interrompem o seu sono e a sua paz emocional.
Querem viver a sua vida.
Não suportam a sua autonomia.
Invejam-lhe, mas não se dão conta disso.
Inventam que querem cuidar de você, quando, na verdade, querem lhe absorver até ultrapassarem todos os seus limites físicos e emocionais.
Insaciáveis, sugam sua energia até a morte.
Querem corromper sua sanidade, porque assim fica mais fácil a sua submissão.
Seduzem-lhe por onde você é mais seduzível. Quebram aos poucos sua autoestima. Minam a sua energia e se nutrem insaciavelmente de tudo o que é você. São inconvenientes e nem todos estão preparados para lidar socialmente com outros. Dizem que só tem você e que você é a ponte para o mundo. Incutem pena, culpa e cuidados reparadores.

Livre-se o mais rápido possível desses "lobos em pele de cordeiro", o destino deste tipo de relação invariavelmente é letal. Esteja alerta. Busque ajuda, fuja e saiba que nesse momento todos os seus medos são plantados por eles.
A solução para esse tipo de relacionamento é a ruptura imediata, o corte, e se possível, o rompimento por completo com toda forma de contato. Você não está apaixonado(a) e nem amando, está apenas intoxicado(a) pelo que ela(e) lhe infunde. É através da inserção de pensamentos e sentimentos desastrosos que o predador emocional, dia após dia, vai roubando a sua capacidade de lucidez. Suas ações funcionam como uma espécie de droga venenosa que é gradativamente injetada e que tem uma única função que é a de lhe intoxicar.
Acorde, você está correndo risco de vida. Acredite em você e em suas mais ínfimas percepções. Dê ouvidos a si mesmo.
Mesmo sendo fruto de situações aprendidas em nossa mais tenra infância, quando fomos doutrinados a sermos obedientes, educados, cordatos e convenientes, devemos nos lembrar que para sobrevivermos também precisamos saber impor limites e saber dizer não.

Vítimas deste tipo de assassinos silenciosos, em geral, têm uma visão cor-de-rosa da vida e acreditam que serão capazes de reparar absolutamente todo o mal-estar do outro, incluindo suas mudanças repentinas de humor. Para essa empreitada, muitas vezes atravessam seus próprios limites de tolerância física e emocional tentando agradar. Como tática do abusador, as tentativas de confortá-lo são pouquíssimas vezes apaziguadas e, com isso, as vítimas pouco a pouco vão perdendo toda a sua vitalidade e força psíquica. Erram drasticamente ao se imaginarem superpoderosas e sem limites em suas capacidades de resiliência. Agem norteadas por crenças inconscientes aprendidas desde muito cedo, na infância, e que dizem a respeito da necessidade de agradar e servirem os outros para controlar humores, não serem atacadas e, de algum modo, não serem abandonadas. Tudo isso para que no final possam ser bem vistas e, portanto, amadas. As cenas se repetirão de modo diverso, enquanto determinadas questões referentes ao amor-próprio não forem sanadas.

Tanto nos predadores, como nas vítimas, existe uma crença negativa sobre si mesmo. A diferença é o tipo de atitude. O predador, por ser frágil, não suporta ver a vida projetada fora de si mesmo. Inveja e quer destruir. Ao ver o outro existindo, ele tem a dimensão da sua não existência e quer destruir para sobreviver. Em suas artimanhas, repetidamente, vai incutir no outro da relação sentimentos de culpa por ele ficar magoado, mal-humorado, irritado e por aí vai. Insidiosamente, o predador vai instalando novos códigos de funcionamento cerebral onde as vítimas gradativamente vão esquecendo-se de si mesmas a ponto de não poucas vezes inocentarem o agressor assassino.

Tenho pacientes que relatam ter receio de pegar um copo de água sequer com medo de fazerem algo errado... Contam que sentem os parceiros à espreita observando-as e ao menor deslize, que na maioria das vezes nem é deslize, eles as desqualificam moralmente, literalmente acabando com elas. Na maioria das vezes, esse padrão de relação assediadora acontece dentro de casa e longe da visão externa, o que dificulta o entendimentos de todos, inclusive das vítimas em questão.

Créditos: Silvia Malamud 

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